Ele segurou a mão dela, puxou pelo braço e a pegou pela cintura, então ele disse:
- Vem comigo, dessa vez vai ser diferente.
Ela então resolveu ver como seria trilhar o caminho ao lado de quem havia passado por algo parecido com o que havia vivido, mas que trouxe de volta o brilho no olhar que já havia perdido a certo tempo.
- Eu vou, se você prometer não soltar a minha mão.
- Não soltarei! Mesmo que pareça ser estranho por ser tão rápido, você me faz feliz!
- É estranho, mas também sinto.
Ela respondeu com o rosto rubro e o coração alvoroçado.
Assim ele permaneceu nos dias, nas semanas seguintes.
Alvoroçado, encantado com a novidade, apertado por ainda estar receoso, mas a esperança se cabia de tomar todo espaço que nele havia.
"E no meio de tanta gente eu encontrei você, entre tanta gente chata e sem nenhuma graça você veio. E eu que pensava que não ia me apaixonar nunca mais na vida..."
Embebidos de um sentimento recíproco e muito bonito, ele a convidou...
- Passa a noite comigo?
- Mas não estaremos indo rápido demais?
- Vai ser diferente amor, eu já disse. Tudo será!
- Mas..
Ele a interrompeu:
- Em quanto tempo passo pra te buscar?
Ela, sem jeito, sorriu:
- Vou só arrumar a bolsa, pode vir.
E ela mal sabia que a noite mais incrível da vida dela, até então, estava por vir.
Não foi só o beijo, o cheiro, o calor. Foi o papo, o desembaraço, o encaixe! A noite em claro mais bonita e revigorante, sem esquecer da parte do mais deliciosa, que ela já havia passado.
"Eu podia ficar feio só perdido, mas com você eu fico muito mais bonito, mais esperto. E podia estar tudo agora dando errado pra mim, mas com você dá certo."
Tudo foi correndo de uma maneira natural e muito bonita para os dois. Felizes, apaixonados e companheiros, eles não precisavam de mais nada a não ser dos braços e abraços um do outro. Quando ele viajava, ela ansiava pela sua volta, acompanhava e vibrava com cada conquista, esperando ele na volta com todo amor que ela havia guardado para ele, mesmo sem saber que ele seria o dono e merecedor de tudo aquilo. Foram pouco mais de dois meses vivendo intensamente a companhia um do outro.
A frase mais bonitinha e clichê foi proferida:
- Você aceita namorar comigo?
O sim foi inevitável, assim como o sorriso que a acompanhou pelos quatrocentos quilômetros de volta para casa.
Oito dias depois aconteceria algo que pode vir a ser o início do fim dessa bela história de amor que não teve tempo suficiente para se consolidar, ou talvez teve e algum dos dois não soube aproveitar; ela se mudaria para outro estado, acarretando em dois meses e alguns dias onde não haveria o toque, o beijo, o cheiro nem o calor que era constante e intenso nos meses em que viveram juntos.
Viveram os dois lados da moeda, agora ela foi jogada pra cima e o lado que cair pode decidir o futuro desses dois corações que bateram no mesmo ritmo, mas hoje parecem descompassados.
- Está tudo estranho pra mim, não sei o que é.
- Também não sei.
- Pode ser a distância, talvez...
- Te sinto distante, você nunca foi assim, sempre foi o mais carinhoso que já conheci na vida!
- Me desculpa.
- Onde está o cara que me fez ficar apaixonada?
- Fica tranquila, vai ficar tudo bem.
"Por isso não vá embora, por isso não me deixe nunca nunca mais. Por isso não vá, não vá embora! Eu podia estar agora sem você, mas eu não quero, não quero."
Qual lado da moeda eles iriam preferir? O lado que mostra quem são, ou o lado que se refere ao valor que cada um deles tem para o outro em suas vidas? Viver de aparências ou do que realmente importa e toca seus corações?
- "Eu te ofereço o prazer do beijo no nosso ritmo, das risadas constantes e assuntos variados. Te ofereço a minha dedicação de entender e conhecer o que gosta, pra ter mais um assunto com você. Te ofereço meu corpo, mas não só a carne, te ofereço ele plenamente; desde o coração quente, a alma leve e a parte que você sabe bem como deixar completamente molhada. Te ofereço prazeres, pequenos, grandes, intensos, novos e antigos. Ofereço também o carinho na barba, passando pelo contorno da sua boca, sobrancelha e pontinha do nariz, que só eu sei fazer e você tanto gosta. Te ofereço uma vida de possibilidades, apoio nas suas decisões, colo quando estiver difícil, um empurrãozinho quando estiver cansado e, prometo não soltar nunca sua mão, se estiver caindo ou te seguro, ou caio junto para levantarmos juntos. Beijos, daquela que insiste em ser sua".
Foi esse o bilhete que ela deixou na cabeceira dele antes de sumir. Ela juntou as coisas dela e foi embora, não trocou o número de telefone, mas não o atendia mais nem respondia às suas mensagens. Ela não mudou de endereço, só não ia mais até a casa dele.
O que ela queria é que ele fosse até ela e, mais uma vez, puxasse pelo braço, segurasse na cintura... Mas ao invés de dizer que tudo seria diferente, ela queria que ele voltasse a fazer a diferença!
Nossa amiga. Voce escreve bem demais. Impossivel não se emocionar! Parabéns!
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