domingo, 13 de abril de 2014

A semente do amor próprio

Ela se olhou no espelho e lembrou de como era triste seu olhar. Recheado pelo imenso vazio que a preenchia, sem razões para seguir ou para acreditar que valeria a pena sorrir. 

Ela apenas relembrou por instantes, mas interrompida por um pestanejar de seus olhos, já não mais tristes, pôde ver o brilho que neles hoje habita.

Foi ele que a fez mudar? Não. Foi ela que mudou e então o atraiu. Mas ela não percebeu isso no primeiro instante, primeiro ela teve de sofrer um pouco, mas foi tão leve que nem para arranhar seu coração ou ofuscar o brilho de seus olhos esse sofrimento foi suficiente, a maturidade a protegeu. Ela percebeu que outros como ele, ou até melhores, estavam sendo atraídos por tal brilho que se cabia de tomar todo o ambiente em que ela se encontrasse.

E era o brilho, o sorriso, o perfume. Era o andar, o rebolado e o olhar estonteante, porém encabulado. 

A velha história que é do nosso jardim que devemos cuidar; havia tantos pássaros, borboletas a sobrevoar e flores raras a brotar... Ela percebeu que a grande semente de tudo isso era o amor, porém a grande descoberta foi saber que era dela mesma que estava brotando esse amor. A magia passou a se concretizar quando ela entendeu que antes de gostar de alguém, era a ela mesma que devia amar!

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